
Bruno Seabra quer «fazer de Oiã uma cidade»
Diário de Aveiro: Como veio parar à Junta de Oiã?
Bruno Seabra: Foi em 2017. Foi o António Mota, que já morreu. Na altura, ele era o presidente do partido [PSD]. Veio ter comigo a dizer que queria que fosse candidato. Respondi-lhe que não era político nem tinha vida para isso. Disse-lhe também que via (e vejo) a política de uma forma completamente diferente e que as pessoas não me conheciam. Vivia em Malhapão e, à data, pouca gente me conhecia na freguesia. Disse-lhe que se calhar não iam ter o resultado que precisavam. Mas, mesmo assim, quiseram avançar. Perdi, mas tirei a maioria ao presidente que estava cá. Ficámos com a mesa da Assembleia da Freguesia. E o “bichinho” da política começou a mexer.
Descobriu, então, uma nova “carreira” (política)?
Não lhe chamo “carreira”. Mas descobri, ou melhor, já tinha descoberto, quando estive na associação [ADAMA - Associação dos Amigos de Malhapão], que quando estamos nos projetos para servir e não para ser servidos, as coisas funcionam de outra forma Na altura da ADAMA, quis transformar o meu lugar [onde vive há 22 anos] - Malhapão - e pô-lo no mapa. E pus. Transformei o modelo associativista que havia. Penso que era precisamente transformação que queriam para o partido.
Mas essa associação já existia?
Já, desde 1979. Só lhe dei um novo fôlego. Criou-se outro tipo de visão, outro tipo de atividades, outro tipo de postura. No associativismo falta, muitas vezes, a ligação com as pessoas, que é muito mais importante do que propriamente praticar um desporto ou chamar as pessoas para umas “febradas”.
Candidatou-se à junta como independente? Ou já era militante do PSD?
Ainda não era militante. Mas fui convidado pelo PSD. Aceitei o convite e criei uma dinâmica completamente diferente em termos de viver a campanha, porque mobilizei muita gente. As pessoas não me conheciam, mas começaram a identificar-
-se comigo. Comecei a implementar aquilo que achava que era importante, defendendo naturalmente os interesses da freguesia e das pessoas. Quando perdi, em 2017, assumi a derrota, mas disse logo que se o partido quisesse seria novamente candidato e que ia começar a trabalhar a partir daquele dia.
Neste momento, já é militante?
Sim. Sou militante e também já sou o presidente da concelhia [comissão política de secção]. Veja como é que, em oito anos, uma pessoa que não estava na política e nem se identificava com a política, neste momento é o presidente do partido e da junta.
Já que fala nisso, vai recandidatar-se?
À junta? Ou à concelhia? [risos]
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