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Análise das contas é um debate entre PSD e PS

O relatório e contas relativos ao ano passado da Câmara de Aveiro foram comparados com os dos mandatos do PS de há duas décadas

Como seria de esperar, o ponto da agenda da reunião da Assembleia Municipal de Aveiro referente ao Relatório de Gestão e Prestação de Contas de 2024 da câmara foram aprovados pela maioria PSD-CDS-PPM. Também não surpreendeu o combate partidário.
O passado do PS e da presidência de Alberto Souto em dois mandatos, de 1998 a 2005 - o socialista recandidata-se ao cargo nas próximas eleições autárquicas - mantêm-se no debate local. O líder da bancada do PSD, Manuel Prior, perguntou como o PS votava, no «tal soutismo de outro tem­po, relatórios e contas, quando nem dívidas, nem valores coincidiam com nada programa­do? Votavam a favor e hoje, quando não deixam dúvidas a ninguém da sua fiabilidade, conseguem votar contra». Ana Maria Seiça Neves, do PS, protestou, questionando Manuel Prior: «acha que alguém, em boa verdade, era capaz de votar um orçamento com números senão como devia ser? Então estamos todos a brincar?… tinham de ser todos presos, no mínimo… não diga isso, está a faltar à realidade». Manuel Prior ainda apontou para relatórios dos mandatos de Alberto Souto, «com milhões de dívida e aprovavam, e agora, com menos dívida, mais investimento e capacidade de endividamento, votam contra».
O relatório e contas de 2024 foram aprovados pelas bancadas da maioria, e com a abstenção do Chega e votos contra do PS, BE, PCP, PAN e BE.

Câmara agradece
à oposição
Ribau Esteves deu um tom irónico à aprovação pela maioria e à votação contra da oposição. «Muito obrigado pela discordância, por serem claros, o que ajuda os cidadãos a fazerem a sua escolha, e é bom que a maioria se alegre e rejubile pela minoria mais incapaz e incompetente».
Contudo, a câmara ouviu críticas, nomeadamente de Mário Costa, do PS, que apontou para uma «taxa de execução baixa» durante 2024, mas quando se justifica com a falta de mão de obra, «parece que é só para a Câmara de Aveiro, porque vê-
-se outros a construírem».
João Moniz, do BE, disse que «a realidade é mais ambígua que a retórica, porque há um passivo enorme entre o que (Ribau Esteves) diz que vai fazer e o que faz até ao final do ano».
Sobre as intervenções de João Moniz, Mário Costa e António Nabais, do PCP, este último que também criticou a maioria, Ribau Esteves ficou «sem saber se perceberam alguma coisa disto, se teimam em enganar-se a si próprios e enganar quem vos ouve, mas, se perceberam, é feio enganarem as pessoas». Disse que a execução é baixa porque os concursos que são lançados para as obras têm de ter as verbas correspondentes cabimentadas no orçamento municipal. Mas há razões para as empreitadas não serem executadas, por falta de empresas, que não dispõem de mão de obra ou, quando os processos se alongam no tempo, já não entram no “relatório”.
João Moniz ainda disse que «usar esta ideia da necessidades de cabimentação para lançar concursos e não executar devido à falta de empreiteiros e adiamento de processos e dizer que (a oposição) não percebe nada disto, para justificar os valores risíveis de execução na ação social direta, isso sim é obra, é exercício de enganar as pessoas». Respondendo ao bloquista, Ribau Esteves disse que «a execução não se aplica à ação social direta». De resto, disse que a câmara «tem todos os recursos na ação social direta ao dispor nas frentes de necessidade», sendo que a autarquia «é supletiva nos instrumentos que o Governo aciona»

Abril 24, 2025 . 09:26

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