«Um erro estratégico colossal»
«1. O pavilhão que querem fazer e o pavilhão de que precisamos
O atual executivo municipal está à beira de cometer um erro estratégico colossal. O novo “Pavilhão-oficina”, orçado em mais de 20 milhões de euros, com quatro campos de treino e capacidade para 2.500 pessoas, não serve os interesses de Aveiro. O que Aveiro precisa é de um pavilhão Multiusos com capacidade para acolher todas as finais nacionais e internacionais de desportos “indoor”, com lotação para pelo menos 5 mil pessoas e polivalência para receber grandes espectáculos artísticos, musicais ou outros. Se Aveiro consumir agora mais de 20 milhões de euros num barracão com quatro paredes e uma bancadazeca, ainda por cima localizado no local errado, não torna a ter capacidade, nos próximos anos, para fazer um investimento no Multiusos de que necessita, para estar à altura da sua tradição desportiva, da sua atividade presente e da sua ambição desportiva e artística.
2. Um pavilhão muito melhor com o mesmo investimento público
Claro que o Multiusos que proponho será um pouco mais caro. Mas não tem de sair mais caro ao município. O que é seguro é que é preferível desenvolver um novo projeto que sirva os próximos 50 anos, do que construir um mastodonte que já não serve sequer o presente.
O financiamento complementar poderá ser encontrado junto de privados, desde que na conceção do projeto sejam previstas fontes de receita atrativas: grandes superfícies, lojas de marca, ginásios, restauração, etc.
A câmara faria, pois, uma parceria público-
-privada para reunir o financiamento suplementar. Os mesmos 20 milhões de euros seriam investidos num Multiusos útil e ambicioso e não gastos num projeto do passado e que hipoteca o nosso futuro.
3. Uma decisão erradíssima em fim de mandato
O atual executivo, apesar do concurso ter ficado deserto duas vezes e de ter sido alertado para este colossal erro estratégico, insiste obstinadamente em cometê-lo e não consegue ter a humildade de reconhecer que essa é uma péssima e caríssima ideia. Acresce que está em fim de mandato e devia abster-se de projetos de consequências perenes e estrategicamente danosas.
4. Uma dívida para 20 anos
“A cereja em cima do bolo” é que a câmara vai endividar-se para o construir. Vai onerar o município por 20 anos, para prejudicar o futuro dos próximos 50. Contrair dívida, para construir um erro. E fá-lo dolosamente para prejudicar Aveiro, porque está publicamente advertido, repetidamente. E não vale a pena compararem com o estádio: o estádio para o Euro 2004 foi deliberado por unanimidade de todos os partidos e era uma candidatura nacional. Este barraco é uma teimosia pessoal e não tem o consenso de mais ninguém. O que pensará o candidato do PSD?
5. As teimosias e o interesse público
Este pavilhão é o resultado de um poder que despreza as opiniões alheias, avalia muito mal as necessidades e se obstina nas suas certezas com pés de barro. O capricho do Rossio custou 20 milhões de euros. Esta teimosia vai custar mais 20 milhões. E daqui a 20 anos andaremos a pagar estes erros de palmatória.
6. As necessidades dos clubes e as necessidades dos espetáculos
A necessidade dos clubes disporem de espaços complementares de treino terá a mesma capacidade de resposta com o Multiusos alternativo que proponho. Além disso, a médio prazo, clubes como o Beira-Mar terão o seu pavilhão e outros terão o seu pavilhão aumentado, o que libertará espaços para treino. Acresce que, com o que se quer fazer, não se dá resposta à componente artística e musical, nem à afirmação de Aveiro com espaço para grandes finais de desportos de interior.
7. A polivalência desportiva do Parque de Feiras
Se ganhar as eleições, o projeto em curso será anulado, em nome do interesse público de Aveiro.
E, em vez de 20 milhões mal gastos, aplicarei apenas dois milhões a conferir polivalência ao Parque de Feiras.
As duas naves têm uma área de 70X40X10 e permitem, por isso, acolher, em eventos isolados ou em treino simultâneo, várias equipas e modalidades: com uma bateria de balneários - muito fácil de fazer sem descaraterizar a arquitetura atual -, bancadas retrácteis, pisos amovíveis, redes e tabelas, podem ali ser acolhidos torneios e finais de camadas jovens, treinos dos clubes, em articulação com a agenda das feiras, etc.
Depois, com tempo e visão estratégica, contrataremos o projeto para um Multiusos com sustentabilidade financeira e futuro.
8. A humildade de saber ouvir, a coragem de tomar posição
O apelo que faço ao sr. presidente da câmara em funções é que desista de cometer este erro colossal. A poucos meses de se ir embora, insistir é um ato de terra queimada e de soberba política. Renunciar seria um ato de humildade e de respeito pelo futuro. Aquele que vamos construir.
O apelo que faço ao candidato do PSD é que diga o que pensa: apoia um projeto medíocre, localizado no sítio errado e estrategicamente erradíssimo ou apoia a proposta que aqui faço?
Era bom que os aveirenses percebessem».







