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Conhece a Gafanha do Carmo como a palma da mão

Celestino Prior foi presidente da junta durante 12 anos. Mas, a sua dedicação à terra que o viu nascer não se resume ao trabalho como autarca. Hoje vai receber a Medalha do Município de Prata

Marcámos encontro para as 18 horas, em sua casa, a escassos metros do sítio onde, há 87 anos, no dia 7 de agosto, “veio ao mun­do”. «Nasci aqui ao lado, na casa dos meus pais», começou por dizer à nossa reportagem, fazendo questão de explicar que, à época, «isto ainda não era Gafanha do Carmo, mas, sim, o lugar dos Caseiros, pertencente à freguesia de São Salvador de Ílhavo».
Celestino Prior encontrava-se acompanhado pela mulher com quem está casado há 64 a­nos. Viu-a pela primeira vez quando, «um dia, ia a passar de bicicleta para ir descarregar o bacalhau» e ela estava em Cale da Vila, na Gafanha da Nazaré, à porta do local onde trabalhava, de igual modo, na seca. Filomena Pais Anastácio, também com 87 anos, é um dos amores da sua vida. O outro é, indubitavelmente, a Gafanha do Carmo. O brilho dos olhos enquanto nos falava da terra que o viu nascer não deixou margem para dúvidas.
É o mais velho de quatro irmãos, oriundos de uma família humilde. «O meu pai era moliceiro [apanhava moliço] e a minha mãe era doméstica e, também, a parteira deste lugar. Ho­je, as pessoas nem sabem o que é uma parteira [risos]», contou, acrescentando que andou na Escola Primária da Gafanha do Carmo até à terceira classe e que só mais tarde veio a fazer o exame da quarta classe.
Imagine-se que ainda não tinha 9 anos quando começou a trabalhar nas quintas, entre a Costa Nova e a Vagueira, on­de se plantavam chicória e batatas. «Ganhava sete ou oito escudos por dia, sei lá», recordou, prosseguindo: «Depois, com 14 anos [já o pai tinha falecido], comecei na seca do bacalhau do falecido Capitão José Maria Vilarinho. Isto, de inver­no. No verão, ia para as salinas, mas não era marnoto. Era apenas ajudante».
Ao longo desta “viagem” que fizemos sem sair da sala, onde também estava a Fifi, a cadela do casal já com 22 anos, Celesti­no Prior remontou aos tempos em que, ainda sem ter 18 anos, embarcou para a pesca do bacalhau por mares da Terra No­va e da Gronelândia. Ao to­do, fez 23 viagens num total de 12 anos de vida marítima.
Seguiu-se outra “aventura”: a da emigração. Com 29 anos, já casado e pai de dois filhos, emigrou para França. Foi para Paris, «trabalhar para Citroën». Regressou à terra natal passadas duas décadas.

Sentimento de dever cumprido
De volta à Gafanha do Carmo, passava os dias a «cuidar do aido [onde semeava batatas, para vender em casa], que ain­da é grande». Mas não demorou muito tempo a abraçar um novo desafio. Convidaram-no para ser secretário da Comissão Fabriqueira da Paróquia, cargo que desempenhou durante «cin­co anos e meio». Neste período foram realizadas várias o­bras na igreja, que o deixam orgulhoso. Mas a verdadeira obra, aquela que o faz ficar embevecido, veio a ser concretiza­da enquanto foi presidente da Junta de Freguesia da Gafanha do Carmo.

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Abril 21, 2025 . 10:15

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