
O intérprete mais antigo ia «de bicicleta com o instrumento às costas»
Pedro Bola, de 60 anos, é o intérprete mais antigo da Filarmónica Gafanhense. «O meu interesse pela música começou aos 12 anos quando frequentava o ciclo, mas só aos 14 anos é que comecei a aprender a música com o sr. Dionísio Marta, maestro da Filarmónica Ilhavense», também conhecida por Música Velha, diz ao Diário de Aveiro. O instrumento escolhido foi o trompete, não por preferência sua, mas «por necessidade da banda», nota, referindo que as aulas aconteciam na casa do maestro, na Gafanha da Nazaré.
«Uma das coisas que me levou a ir para a banda foi já ter a maior parte dos meus colegas lá a animar o povo com as suas modinhas da altura em alguns eventos e serenatas», recorda.
Quando entrou, a banda era constituída por cerca de 30 elementos, a sede «não estava no seu melhor estado» e «a maioria dos instrumentos já eram antigos», recorda.
«A deslocação para os ensaios e festas era sempre de bicicleta com o instrumento às costas num saco de pano», evoca. As festas eram na zona de Ílhavo e também em Vagos e Aveiro. «Normalmente, fazíamos peditórios aos sábados e segunda-feiras, arruada de manhã ao domingo, procissão à tarde e concerto à noite nos coretos tradicionais», conta. Em festas em que as bandas Nova e Velha se juntavam, «a rivalidade já antiga era notória», recorda Pedro Bola.
Após a integração na banda, os seus irmãos e alguns primos também sentiram curiosidade e acabaram por ir aprender música e integrar o agrupamento. A sua participação na banda influenciou também a integração dos seus filhos na associação, sendo que, para um deles, foi o ponto de partida para a construção de uma carreira profissional na área da música. Atualmente, tem dois filhos, dois irmãos e dois primos como músicos executantes da banda.
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