Aveiro: PS não aceita argumento “a sra. Merkel que pague” a ponte

O PS não aceita que a Câmara de Aveiro insista na construção da ponte pedonal no canal central alegando que se trata de uma obra largamente financiada por fundos comunitários. “’O dinheiro não é nosso. A sra. Merkel que pague’: este argumento não é aceitável”, disse ontem o vereador socialista João Sousa numa conferência de imprensa convocada para divulgar as últimas diligências do principal partido da oposição para travar a construção.
Apesar de chumbado pelo executivo de maioria PSD/CDS, o processo de classificação daquele troço do canal central como imóvel de interesse nacional vai avançar esta semana junto do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) por iniciativa própria dos socialistas.
O autarca reconhece que esse procedimento “não tem efeitos suspensivos” mas serve para mais uma vez vincar o “descontentamento” socialista em relação a esta empreitada do Parque da Sustentabilidade.
O canal onde o executivo de Élio Maia pretende construir a travessia pedonal foi outrora, no início do século XIX, o “porto de Aveiro onde afluíam todos os barcos”, dinamizando a economia local. “A imagem do canal mantém-se inalterada há dois séculos. Está a faltar sensibilidade e bom senso para respeitar a história da cidade”, acrescentou.
Para elaborar o processo que será apresentado no IGESPAR, o PS dedicou-se nos últimos dias a recolher material sobre a obra, embora se tenha debatido com resistências da autarquia. “Alguma informação não nos foi entregue voluntariamente”, acusou o eleito socialista.
Alguns dados acerca do projecto não foram conhecidos atempadamente, acrescentou, exemplificando com o auto de consignação da empreitada. “Só em Fevereiro soubemos que a obra foi consignada em Outubro”, declarou.
Eduardo Feio, líder concelhio do partido, lembrou, por outro lado, que a obra “não se conforma” com o plano de urbanização do programa Polis e que “não está licenciada” no que diz respeito à utilização do domínio público hídrico. Segundo João Sousa, a maioria PSD/CDS alegou, no entanto, que o avanço da obra não carece do aval da Administração da Região Hidrográfica do Centro, tendo-se socorrido na última reunião do executivo municipal de um ofício do Instituto da Água para sustentar essa posição.
“Vamos continuar a luta”, prometeu Eduardo Feio, sublinhando que a ponte entre o Rossio e o Alboi não devia ser uma “prioridade” e constitui uma “agressão violenta a um dos patrimónios mais importantes” da cidade.
O projecto incide numa área de 1.800 metros de intervenção, incluindo as duas rampas de 60 metros, estreitando o canal de 32 para 18 metros. A ponte pode mesmo “comprometer” a circulação de algumas embarcações, avisou o antigo vice-presidente da edilidade.






