Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
Fundador: 
Adriano Lucas (1925-2011)
Director: 
Adriano Callé Lucas

Peregrinos regressaram a Fátima com fé inabalável


domingo, 31 maio 2020

As celebrações presenciais recomeçaram ontem no Santuário de Fátima, onde mais de um milhar de fiéis circulava pelo recinto, de máscara na cara e com a fé inabalável a acompanhá-los.
Do Bombarral, o casal Santos decidiu ir ao Santuário cumprindo um percurso de cerca de 70 quilómetros a pé. «Não foi nenhuma promessa. Era algo que tínhamos gosto em fazer e decidimos fazê-lo hoje (ontem). Foi uma alegria enorme por termos o reencontro com Nossa Senhora de Fátima. É sem dúvida uma inspiração de muita paz», realçam.
Um pouco mais a norte, Madalena Fortuna veio de Barcelos com a família para assistir à missa presidida pelo reitor do Santuário, Carlos Cabecinhas. «Há muito que ansiava por este momento. Tinha muita fome de fé. Estou muito feliz por vir de novo a Fátima. Tinha organizada a peregrinação a pé nos dias 12 e 13 de Maio, que foi impossível de realizar e me deixou muito triste», contou à Lusa.
Eram 11h00 em ponto, quando o padre Carlos Cabecinhas subiu ao altar do recinto da oração para celebrar a primeira missa presencial pós-confinamento. Rapidamente as mais de mil pessoas presentes no Santuário se viraram para o altar e assistiram à celebração da missa, como se fosse uma primeira vez. Talvez, por isso, no final da celebração os fiéis aplaudiram entusiasticamente o momento.
«Hoje é um dia de alegria», afirmou o padre Carlos Cabecinhas, que alertou para os cuidados que se devem continuar a ter para evitar a propagação do novo coronavírus, perante os fiéis, uns ajoelhados outros sentados no chão ou apenas de pé. Para o momento da comunhão, vários fiéis foram convidados a participar como ajudantes e oferecerem a hóstia na mão. Foi o caso de um grupo de peregrinos do Porto. Com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima na mão, visivelmente emocionada e de voz embargada, Marina Bártolo diz, depois, à Lusa, que foi «uma honra» e um «momento muito emotivo». «Teve um significado muito grande. Estamos aqui pela minha mãe, que faleceu há oito dias, e sentia falta desta paz. Saio daqui com maior conforto e cheia de paz», confessou a peregrina, com a concordância da irmã, que acrescenta que a participação na celebração foi algo que os chamou.

“Estamos confiantes de que
é seguro vir ao Santuário”
Aos jornalistas, Carlos Cabecinhas afiançou que o retomar das celebrações garante todas as «condições de saúde e de segurança». «Determinámos percursos dentro dos espaços celebrativos e temos equipas acolhedoras nos espaços fechados. No espaço aberto, vamos ter uma trilha sonora chamando a atenção para uma série de normas e procedimentos de segurança. Fizemos a colocação de alguns painéis exteriores para quem acede ao Santuário ter a percepção de um conjunto de procedimentos que deve observar. Estamos confiantes de que é seguro vir ao Santuário e participar nas nossas celebrações», sublinhou o reitor do Santuário de Fátima.
Carlos Cabecinhas admitiu que este «será um ano com menos peregrinos» e constatou que «vai demorar até se recuperar de novo aquilo que era o afluxo normal de peregrinos ao Santuário». «Há algum medo, não em relação a Fátima. É um medo genérico em relação àquilo que possa ser o espaço de contaminação com o novo coronavírus e demora algum tempo a recuperar essa confiança, mas penso que a pouco a pouco ela se vai recuperando. Mas, não tenho dúvidas de que este ano vai ser um ano com muito menos peregrinos em Fátima» disse.
O padre admite que presidir a uma missa num espaço sem aglomerados de pessoas «é uma sensação de alguma estranheza», mas que «se conjuga com a responsabilidade necessária». Carlos Cabecinhas explicou que nos espaços fechados estão assinalados os lugares onde é possível sentar com o devido distanciamento de segurança, o reitor reforçou que a preocupação que o Santuário tem transmitido se deve à «responsabilidade». «Não queremos, de forma alguma, que quem vem possa sentir o Santuário como uma ameaça para si», concluiu.