Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Adriano Callé Lucas

AHPV distinguida com o selo Clean&Safe


Liliana Figueiredo terça, 05 maio 2020

Viseu 

Associação Hípica e Psicomotora de Viseu teve de suspender as terapias em Março, mas já está a trabalhar na reabertura, tendo alcançado, recentemente, o selo “Clean&Safe” do Turismo de Portugal


A pandemia da covid-19 deixou cerca de 141 utentes sem terapias na Associação Hípica e Psicomotora de Viseu (AHPV). “As  terapias estão totalmente suspensas desde o passado dia 13 de Março, sendo que alguns dias antes procurámos cancelar essencialmente os utentes das instituições parceiras que vinham em grupo. Infelizmente, estão neste momento sem acesso às nossas terapias um total de 141 utentes, entre particulares e protocolados com outras instituições do distrito”, informa Luís Ribeiro, presidente da direcção.
A AHPV tem no seu espaço as valências de Equitação Terapêutica e a Hipoterapia que se “constituem como terapias únicas na medida em que todas as dinâmicas necessitam do elemento estruturante - o cavalo, que singulariza a acção terapêutica”.
Nesta fase, em que os utentes não se podem se deslocar ao espaço para usufruir destas terapias, dificilmente conseguem recriar o ambiente necessário em casa de forma a dar continuidade ao trabalho.
“Em alguns países utilizam-se simuladores mecânicos que recriam o movimento do cavalo, mas sobretudo na óptica de estabelecer a confiança do utente num primeiro contacto, para depois passar efectivamente à prática com o animal em si. Ficará sempre a faltar o calor do dorso, os estímulos cognitivos, a relação de cumplicidade da tríade terapeuta-utente-cavalo, a envolvência da natureza e tantos outros factores que tornam estas terapias únicas. Consideramos que a suspensão das terapias vai efectivamente condicionar o alcance dos objectivos definidos nos planos individuais de intervenção, sendo que o facto de os utentes estarem genericamente privados da socialização, provocará alguma perda de competências e, por conseguinte, menor disponibilidade psicológica para a aprendizagem no regresso”, alerta Luís Ribeiro.
Embora nem todo os objectivos alcançados sejam perdidos, em casa caso particular, durante este período, quando os utentes regressarem às terapias poderão demorar mais tempo a progredir. “Os objectivos terapêuticos são divididos em degraus; quando um utente atinge determinado degrau significa que já possui capacidades e alicerces suficientes para se manter naquele patamar. Poderá sim, levar mais algum tempo do que o previsto inicialmente, a ascender ao degrau seguinte. Importa sobretudo não perder o foco, sendo que nesse âmbito contamos com a nossa equipa de profissionais, sempre coesa e determinada”, explica.
Neste momento a AHPV está a preparar para reabrir logo que exista autorização do Governo. O primeiro passo foi receber o selo Clean&Safe do Turismo de Portugal “que formaliza o compromisso em cumprir as recomendações emitidas pela Autoridade Turística Nacional e pela DGS, para reduzir os riscos de contaminação nos seus espaços”. “Adquirimos material de protecção individual, criámos um Plano de Segurança para a Prevenção de Contágio e assegurámos todos os procedimentos para receber inclusivamente a distinção Clean&Safe do Turismo de Portugal. Tudo faremos para garantir a segurança e tranquilizar todos quantos acedam ao espaço montebelo-hípico, onde desenvolvemos as várias dinâmicas equestres”, salienta Luís Ribeiro.

Apoios continuam a faltar
A AHPV, apesar de deter o estatuto de IPSS, vive exclusivamente da prestação dos serviços que faz, nomeadamente as terapias equestres e escola de equitação. “Há muito que procuramos junto da Segurança Social materializar um acordo atípico para a resposta de equitação terapêutica e a abertura de uma linha de financiamento para a edificação do Centro de Actividades Ocupacionais cujo projecto já teve aprovação. No entanto, a resposta da direcção central dos Serviços da Segurança Social tem sido sempre a mesma: absolutamente nenhuma”, lamenta. A AHPV continua assim a contar com os apoios dos parceiros que têm sido fundamentais. “Continuamos a contar com o inexcedível apoio dos clientes de equitação desportiva e dos vários parceiros, dos quais gostaríamos de destacar nesta fase, o papel singular que a autarquia de Viseu tem mantido de forma transversal, mas especialmente no apoio às instituições sociais, num momento profundamente crítico para todas. Igualmente o nosso parceiro de sempre, Grupo Visabeira - Montebelo Hotels&Resorts, que mantém uma postura de altruísmo, dando-nos o nobre privilégio de podermos continuar a participar na política social da empresa”, conclui. |

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