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Máscaras artesanais para protecção pessoal


quinta, 09 abril 2020

São mãos habituadas a manusear linhas, agulhas e tecidos, que agora se dedicam, por todo o país e região Centro, à produção de materiais necessários à protecção dos que estão na linha da frente no combate à Covid-19 e de todos os cidadãos nas mais diversas situações do dia-a-dia. O uso generalizado de máscaras tem sido fortemente recomendado por diversos profissionais de saúde mas, como escasseiam no mercado, a produção artesanal tem vindo a colmatar essa necessidade.
Anabela Pato é disso um exemplo. De Bustos, Oliveira do Bairro, onde reside, já distribuiu um pouco por todo o país, e além fronteiras, máscaras que podem ajudar, e muito, na protecção individual.
Tudo começou há cerca de três semanas quando ouviu uma notícia que dava conta de que em Itália estavam a produzir máscaras em tecido, reutilizáveis, para uso da população. Decidiu deitar “mãos-à-
-obra”, começando por pesquisar que tecidos colocar no interior da máscara para uma maior filtragem. «Tive a preocupação de usar um tecido que permita que a pessoa consiga respirar e não transpire no interior da máscara, caso tenha necessidade de a usar o dia todo, e que seja resistente para que possa ser desinfectada com álcool», explica Anabela Pato. Por essas mesmas razões, o exterior da máscara é feito com um tecido, simples ou com padrão, com uma grande percentagem de algodão para que possa ser lavado no mínimo a 60 graus.
Começou por confeccionar para pessoas mais próximas e num curto espaço de tempo alargou a produção, com mais de 100 máscaras reutilizáveis feitas. Cada máscara de tecido tem o custo de dois euros, mais portes de envio por correio, valor que não paga todo o tempo dedicado à sua produção e todos os custos inerentes (tecidos, elásticos, portes, luz, mão--de-obra). Antes do envio, Anabela Pato tem o cuidado de desinfectar todo o material estando pronto a usar quando chega ao destino. O objectivo de Anabela é simplesmente: ajudar!
Para além das máscaras descartáveis, Anabela faz também máscaras TNT (tecido não tecido) descartáveis, «uma opção para quem não tem acesso às máscaras cirúrgicas», mas, realça, «não as substituem». Na sexta-feira criou o protótipo das TNT e já está a aceitar encomendas: uma máscara tem o valor de um euro e seis máscaras cinco euros, acrescido de portes. No total, já produziu 260 máscaras respondendo a pedidos de Norte a Sul do país e outros vindos da Suíça, Alemanha, Luxemburgo e França.


Toucas cirúrgicas para profissionais de saúde

Mas não só de máscaras se faz o trabalho de Anabela Pato nesta fase de pandemia. Respondendo a um apelo feito nas redes sociais por uma enfermeira do Hospital de Santo André, em Leiria, no qual pedia toucas cirúrgicas, fez chegar 20 a esse hospital e no início da semana enviou nova remessa «surpresa e gratuita» de materiais: 50 toucas cirúrgicas, 60 máscaras de tecido, 100 máscaras TNT descartáveis e 200 luvas de vinil sem pó, uma oferta da empresa Rei & Rei, de Cantanhede. Esta empresa, na pessoa de Isaque Rei, é uma peça fundamental nesta missão de Anabela Pato, uma vez que fornece os sacos para embalamento das máscaras. 

«É a forma dele ajudar», refere Anabela.

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