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Covid-19: Polícia ‘trava’ casamento de comunidade cigana


quinta, 09 abril 2020

A Polícia de Segurança Pública (PSP) teve de intervir, no início da semana, para travar uma festa de casamento que estava a decorrer no bairro social Margens do Arunca, na cidade de Pombal. Tratou-se de um ajuntamento com cerca de centena e meia de pessoas, em plena via pública, sem respeitar as orientações de recolhimento e distanciamento social no âmbito do estado de emergência face à pandemia da Covid-19.
Numa primeira fase, a força de segurança fez deslocar ao bairro residencial, habitado por famílias de etnia cigana, para sensibilizar para a necessidade de isolamento. Contudo, o grupo terá continuado a confraternização, o que obrigou à intervenção de agentes da Equipa de Intervenção Rápida, com o objectivo de pôr fim ao convívio.
“Foi uma actuação pedagógica e preventiva, para demonstrar que as medidas de confinamento em vigor são para cumprir por todos”, refere fonte da PSP, adiantando que o reforço do efectivo foi necessário para que fossem acatadas as indicações anteriormente dadas, o que viria a acontecer, já de madrugada.
Para o presidente da Câmara de Pombal, aquele “foi um episódio que não devia ter acontecido”. “Temos de trabalhar para que ele não se repita”. Diogo Mateus enaltece que, tanto a vereadora do Desenvolvimento Social, como as técnicas do Serviço Social da autarquia, tem desenvolvido um “trabalho de sensibilização” naquele bairro municipal, considerando que “a forma de vida da comunidade cigana era absolutamente propensa a ajuntamentos que violavam todas as recomendações”.
O edil considera que “a situação que se gerou é um exemplo da desqualificação dos níveis de alerta que ainda existem por parte de alguns cidadãos sobre o perigo e do risco que correm”. “O nosso esforço terá de ser de evitar que matérias destas se repitam”, referiu quando questionado pelo nosso jornal.
Por sua vez, o Delegado de Saúde de Pombal enalteceu a preocupação perante o comportamento de alguns dos cidadãos. “O Bairro Margens do Arunca tem uma comunidade com comportamentos muito próprios e é muito difícil dizer àquelas pessoas que não se devem juntar todos à volta de uma fogueira a fumar um cigarro”, refere José Luís Ruivo, frisando que “se não tiverem um comportamento cívico adequado podem pôr em risco familiares e toda uma comunidade”.
Outra das preocupações do Delegado de Saúde diz respeito aos auxiliares das diversas instituições de solidariedade social do concelho.
“Todos os profissionais dos lares têm de ser cidadãos conscientes, sabendo que podem estar a colocar em risco” os utentes e até os seus familiares. “Não tendo comportamentos adequados, poderão causar uma tragédia”, alertou. 

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