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Covid-19: Ministro holandês reafirma oposição a ‘coronabonds’ e impõe condições a crédito


quarta, 08 abril 2020

O ministro das Finanças holandês reafirmou hoje a sua oposição à ideia da emissão de ‘coronabonds’ e defendeu que linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para apoiar as economias devem ser sujeitas a condições.
Após uma ‘maratona’ negocial de 16 horas do Eurogrupo, ao cabo da qual os ministros das Finanças europeus ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre a resposta económica à crise provocada pela pandemia covid-19, Wopke Hoekstra, o ministro que indignou o primeiro-ministro António Costa e os países do sul da Europa devido às suas intervenções numa anterior reunião, insistiu que a Holanda “era e continua a ser contra” a emissão de dívida conjunta.
Para o ministro holandês, os Países Baixos só aceitam recurso incondicional às linhas de crédito do fundo de resgate da zona euro “para cobrir custos médicos”. “A Holanda era e continua a ser contra a ideia de ‘eurobonds’. Pensamos que iria criar mais problemas do que soluções para a UE. Teríamos de garantir dívidas de outros países, o que não é razoável”, escreveu o holandês na sua conta oficial na rede social Twitter, acrescentando que “a maioria do Eurogrupo partilha este ponto de vista e não apoia ‘eurobonds’”, a solução mais defendida pelos países do sul da Europa.
Relativamente à outra possibilidade mais explorada para ajudar economicamente os Estados-membros mais afectados pela crise provocada pelo novo coronavírus, Hoekstra admite que, face à actual situação, deve ser aberta “uma excepção” e as linhas de crédito do MEE serem utilizadas “incondicionalmente para cobrir custos médicos”. No entanto, sublinha, “para o apoio económico de longo prazo”, a Holanda defende que “é sensato combinar a utilização do MEE com certas condições económicas”, um cenário que desagrada aos países com economias mais frágeis, dado empréstimos sujeitos a condicionalidades sobrecarregarem as dívidas já avultadas dos seus cofres públicos e ‘ressuscitarem’ os ‘fantasmas’ e os estigmas dos programas de resgate supervisionados pela ‘troika’ durante a anterior crise económica e financeira. “O MEE é um financiador de último recurso, quando os países estão com profundos problemas financeiros. Do nosso ponto de vista, a utilização deste orçamento tem de ser acompanhada de alguma forma de condições”, insiste o ministro das Finanças holandês, que assume que não há por isso ainda um compromisso em torno da utilização do MEE, “e por isso os líderes devem decidir sobre esta questão”.
Hoekstra tem o apoio declarado do parlamento holandês, que na terça-feira, antes do início da reunião do Eurogrupo, apoiou formalmente as posições defendidas pelo Governo holandês e rejeitou iniciativas com a emissão conjunta de dívida, os chamados ‘eurobonds’ ou ‘coronabonds’.
Posição absolutamente contrária tem a Itália, cujo ministro da Economia e Finanças, Roberto Gualtieri, se limitou, todavia, a escrever uma mensagem na sua conta no Twitter a apelar a uma resposta europeia à altura dos atuais desafios. “Apesar dos progressos, ainda não há acordo no Eurogrupo. Continuamos empenhados numa resposta europeia ao desafio da covid-19. É tempo de responsabilidade comum, de solidariedade e de escolhas corajosas e partilhadas”, escreveu.