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Covid-19: Enfermeiro apela à ajuda para salvar utentes na Cumieira


Legenda: Jorge Araújo enaltece a situação problemática na instituição (Orlando Cardoso/texto/DR/foto) quarta, 08 abril 2020

Quando recebeu a ‘chamada’ da Cruz Vermelha, Jorge Araújo não hesitou em percorrer cerca de 300 quilómetros, deixando para trás a sua terra e família, para vir auxiliar o lar da Associação Sócio-Cultural Recreativa e Educativa de Cumieira e Circunvizinhas, na freguesia de Pombal. O enfermeiro, membro da Associação Amigos da Grande Idade, encontrou um cenário complexo, mas garante que não abandonará a sua missão, apesar de “não ser um super-homem”.
“Eu cá estarei e prometo que não irei abandonar esta gente, custe o que custar”, garante o voluntário de Valpaços, enaltecendo que a instituição acolhe actualmente 17 utentes, todos infectados com a Covid-19. Mais quatro não resistiram e acabaram por morrer. Há, ainda, cinco funcionários com resultado positivo e outros em quarentena.
É a falta de recursos que é uma das maiores preocupações de Jorge Araújo. “Não é possível cuidar de 17 idosos debilitados com duas auxiliares de apoio”, afirma em declarações ao nosso jornal. Para o enfermeiro, o voluntariado será uma preciosidade, mais não seja para alguns serviços indiferenciados, como auxílio nas tarefas de limpeza, desinfecção, cozinha, lavandaria, entre outras. Até porque para além da estrutura residencial, a instituição continua a prestar apoio domiciliário e a auxiliar os utentes de Centro de Dia que permanecem nas suas residências.
Contudo, “há necessidade de pessoal qualificado, com conhecimento para cuidados técnicos”, como higiene pessoal, administração de medicação, entre outros.
Jorge Araújo afirma que, sendo aquela a “situação mais problemática na região”, deveria ter uma atenção especial por parte das diversas entidades, “a nível municipal, distrital, já para não falar a nível governamental”. Ou seja, “haver uma autoridade que implemente medidas mais drásticas”, diz.
Por outro lado, o enfermeiro reconhece que encontrou uma instituição com algumas fragilidades, designadamente com ausência de uma “organização técnica” e “medidas implementadas inadequadas”, sobretudo quanto a alguns procedimentos de prevenção e protecção. Bem como a falta de um devido acompanhamento clínico e de enfermagem. A situação leva a que o enfermeiro não poupe a sucessivos apelos por ajudas. “Nunca gostei de mendigar, mas é assim que me sinto: um mendigo a pedir para os mais necessitados”. “A boa vontade não chega e a falta de formação e o número insuficiente [de meios e recursos] também não ajuda”, refere.
O enfermeiro refere que existe “equipamento de protecção individual a acabar e necessitamos urgentemente de repor o stock, correndo o risco de não podermos prestar os cuidados necessários aos meus (nossos) idosos dentro de dois dias”. “Temos fornecedores, mas esta IPSS não tem fundos próprios para a sua aquisição, frisa, sublinhando que “as ajudas de quem de direito não aparecem, ou são em número insuficiente para uma unidade com tantos casos positivos”. 

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