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Covid-19: Casos de violência doméstica estabilizam mas espera-se aumento no fim da quarentena


Legenda: Término da quarentena poderá trazer um “grande aumento” no número de denúncias (Cristiana Alves/texto/DR/foto) quarta, 08 abril 2020

A Mulher Século XXI - Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres registou, em Março, 15 novos casos de violência doméstica em Leiria. Um número que vai ao encontro dos casos denunciados em Janeiro (17) e em Fevereiro (14). Significa isto que em Março, mês em que teve início o período de quarentena em Portugal, não houve qualquer alteração na média de casos denunciados.
Ainda assim, apesar de o número de casos de violência doméstica no distrito estar estável desde o início da quarentena, espera-se que, após o fim deste período, a procura de ajuda e a denúncia de casos venham a “aumentar significativamente”.
“Ter os agressores em quarentena com as vítimas dificulta bastante o pedido de ajuda. Isto porque as vítimas são mais controladas, nas redes sociais e através do telemóvel”, explica, ao nosso jornal, a coordenadora da Casa de Acolhimento da associação, acrescentando ser o “pânico” que dificulta a “capacidade de pedir ajuda”.
“O pânico de estar 24 sobre 24 horas com os agressores em casa leva a que as vítimas fiquem bloqueadas e não consigam denunciar a violência a que estão sujeitas. Por exemplo, os pedidos de ajuda que recebemos nos últimos 15 dias do mês de Março foram de vítimas cujos agressores continuam a trabalhar”, salienta Rosa Santos.
Segundo a coordenadora do Centro de Acolhimento, é expectável que se venha a registar um “grande aumento” no número de denúncias após o fim da quarentena.
“Aí sim, vamos ter um grande aumento de pedidos de ajuda, porque as vítimas já não vão estar a ser controladas a toda a hora”, refere Rosa Santos, defendendo que, neste momento, “as vítimas têm de ser muito mais espertas que o agressor”.
“Elas têm de ter a capacidade de encontrar estratégias para poderem sair desta situação, algo muito difícil no tempo que estamos a viver. Assim como uma vítima consegue detectar se um agressor está mal-disposto ou agressivo, o agressor também consegue ver se a vítima está a planear alguma fuga ou pedido de ajuda. Por isso, é fundamental que as vítimas também consigam encontrar outras estratégias para conseguirem denunciar”, destaca.
Recorde-se que a Mulher Século XXI alargou gratuitamente, no último mês de Mar­ço, a Linha de Apoio à Vítima Idosa de Violência Doméstica (800 210 340) a todas as vítimas de violência doméstica do distrito de Leiria. A par disso, todas as chamadas que sejam efectuadas para o número fixo da associação (244 821 728) estão a ser desviadas para os telemóveis dos elementos da associação.

Governo cria duas estruturas temporárias para acolher
vítimas de violência doméstica
O Governo anunciou ontem medidas de apoio às vítimas de violência doméstica durante a pandemia, entre as quais a abertura de duas novas estruturas temporárias de acolhimento de emergência, com vagas para mais 100 pessoas.
Em comunicado, a Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade explica que estas novas estruturas dispõem de quartos de isolamento, foram instaladas em edifícios disponibilizados por parceiros públicos e privados, contando com o apoio logístico dos municípios. As duas valências de acolhimento juntam-se às 65 estruturas já existentes e em pleno funcionamento.
Esta é uma das medidas do Governo para fazer face à situação de isolamento social imposta no âmbito das medidas de resposta à pandemia Covid-19, tendo sido desencadeado no início de Março um plano coordenado de contingência em matéria de prevenção e combate à violência doméstica.
A intervenção assenta em duas dimensões: no reforço da capacidade de resposta da Re­de Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica e na divulgação de informação para consciencialização social dos riscos acrescidos de violência e sobre os serviços de apoio e canais para pedir ajuda.
O plano inclui também a criação e reforço dos meios de atendimento à distância, o reforço do atendimento telefónico, a monitorização das situações em acompanhamento com maior regularidade, a designação de uma equipa para situações e pedidos de urgência, atendimento presencial em situações urgentes, com equipas em rotatividade, e a articulação com as autarquias caso exista necessidade de acolhimento urgente.
Relativamente à divulgação de informação para consciencialização social dos riscos acrescidos de violência a Secretaria de Estado refere que foi lançada a Campanha ‘#SegurançaEmIsolamento’ nas redes sociais, televisões, rádios e imprensa.
Os pedidos de ajuda podem ser feitos para o Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica (800 202 148), gratuito e a funcionar 24 horas por dia, para o endereço de correio electrónico [email protected], e ainda para a nova Linha SMS 3060, gratuita e confidencial, para que as vítimas possam enviar pedidos de ajuda por escrito.

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