Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Ruas desertas, lojas fechadas. A Baixa nunca esteve assim


domingo, 05 abril 2020

Entre as ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, duas das mais emblemáticas da Baixa de Coimbra, havia ontem apenas quatro estabelecimentos comerciais abertos. Antes da pandemia Covid-19 eram dezenas, agora apenas uma farmácia que garante os medicamentos a quem deles precisa, uma padaria que fornece um bem tão essencial como é o pão, uma loja de venda de jornais que assegura que a informação chega à população, e um pequeno quiosque de arranjos de telemóveis porque a comunicação em tempo de pandemia é feita à distância. Nada é como antes numa zona da cidade que vinha há muito tempo a definhar e a lutar para não morrer e agora, nos últimos anos, parecia renascer. Parece que tudo voltou à “estaca zero”.
Nas ruas são poucos os que circulam e quem anda, anda sozinho. Numa manhã como a de ontem, sábado, seriam centenas de pessoas a passear, entre os quais muitos turistas. Maria Farag e Margarida Silva regressavam das compras. São duas das poucas moradoras da Baixa, Maria na Rua Ferreira Borges, Margarida no Arco de Almedina. «Nunca vi a Baixa assim», comentou Margarida Silva. «Antes viam-se poucas pessoas, agora não se vê ninguém», disse, por seu lado, Maria Farag, comentando que a Baixa nos últimos tempos até vinha a recuperar, com o surgimento de novos negócios e pessoas interessadas em dinamizar a zona, mas com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, tudo mudou. «Nunca vi esta rua assim», disse.
Entre os poucos que ontem de manhã se viam na Baixa, muitos deslocaram-se para ir à farmácia ou ao pão. «isto é uma Baixa fantasma», comentou Idalinda Oliveira, proprietária da padaria/pastelaria Visconde, que mantém o funcionamento mas teve de se adaptar, com a venda a ser feita à porta. «Não há ninguém, não há carros, acho que as pessoas estão assustadas», disse ainda. A Páscoa, na qual a comerciante depositava grandes expectativas, tendo em conta que até ganhou um primeiro lugar num concurso de folares, é «infelizmente» para esquecer.
A tabacaria existente a meio da rua Visconde da Luz mantém-se aberta porque vende jornais, mas é o tabaco, que «se vende sempre», que vai mantendo o negócio de pé. As ruas desertas, contudo, trouxeram outra preocupação, além da quebra do negócio: os assaltos. «Aqui na loja já roubaram e saíram a fugir. como não há ninguém nas ruas, pior é», explicou a funcionária da loja, defendendo «mais polícia a passar para dar segurança» aos poucos estabelecimentos que, num tempo que é para ficar em casa, mantém as portas abertas porque há bens essenciais que é preciso comprar.