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“Não é a União Europeia que falha. É o europeísmo dos líderes europeus”


sexta, 03 abril 2020

«As instituições europeias não estão a falhar. A solidariedade entre os governos europeus é que está a falhar» no combate à pandemia do novo coronavírus. Um vídeo com estas e outras declarações, proferidas há dias no Parlamento Europeu por Esteban González Pons, eurodeputado espanhol e vice-presidente do Grupo Popular Europeu, está tornar-se viral em toda a Europa.
Nele, Esteban González Pons questiona a forma como o combate à pandemia de Covid-19 está a ser feito pelos Estados-Membros da União Europeia, em especial depois das polémicas declarações do ministro das Finanças holandês, Wopke Hoekstra – consideradas «repugnantes» pelo primeiro-ministro português, António Costa – pedindo que Espanha seja investigada por não ter capacidade orçamental para fazer face à pandemia.
«Não falha a União Europeia. Falha o europeísmo dos líderes europeus», afirma o eurodeputado espanhol, criticando o facto de, ao contrário da Organização Mundial de Saúde (OMS), que está a tratar o novo coronavírus como «uma pandemia, uma doença contagiosa de alcance planetário», os governos europeus estarem a encarar esta crise «como se fossem 27 infecções nacionais». «Diante de um único problema, os Estados-Membros europeus deram 27 respostas diferentes, mais de 50, se tivermos em conta as regiões com poderes em Saúde», critica González Pons. «Como se o vírus parasse em cada fronteira», acrescenta.
«Em Itália, em Espanha e em França muitos estão a perguntar. “Onde está a Europa?”», refere, num discurso de mais de quatro minutos, no qual recorda que, apesar de o vírus estar hoje «a explodir» nestes países, «ninguém sabe como evoluirá amanhã». «Não sabemos se vai ser igual noutros países europeus e quando… Não sabemos se voltará no Outono e por onde. Não sabemos se irá despoletar em África, no Oriente ou na Rússia e que consequência terá nessa altura para todos nós. A verdade é que não sabemos o que nos irá acontecer», refere González Pons, adiantando que «a solidariedade que daremos é a que receberemos amanhã» e que «isso é que é sermos europeus».
O eurodeputado defende «uma Europa a falar o mesmo idioma», como a que «todas as noites, às oito horas, vai às varandas aplaudir os médicos e enfermeiros europeus», criticando, por isso, a «outra Europa», que «precisa de tradutores e é incapaz de entender-se». Daí que defenda que o Parlamento Europeu tem de trabalhar durante a crise como «uma “casa da esperança”», em especial quando, como acontece em Espanha, se está a viver «um inferno».
«No meu país, com menos de 50 milhões de habitantes tivemos mais mortos que a China que tem mais de mil milhões de habitantes. No meu país, mais de cinco mil médicos e enfermeiros, auxiliares e pessoal das ambulâncias contagiaram-se. No meu país os hospitais estão cheios. No meu país, os pacientes de coronavírus morrem sós. Sem um familiar que lhes feche os olhos. E são enterrados sós», refere, pedindo, por isso, «piedade e máscaras, dignidade e ventiladores, consolo e testes» para os médicos europeus, que são quem tem de lidar com esta pandemia.

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