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“Foi opinião unânime que se impõe manter as medidas de contenção”


quarta, 01 abril 2020

O Presidente da República afirmou ontem que se impõe manter as medidas de contenção que vigoram em Portugal, referindo que essa foi uma opinião unânime na segunda reunião técnica sobre a situação da covid-19 no país. "Impõe-se manter as medidas de contenção, e foi uma opinião unânime. Voltando àquela imagem de há uma semana: importa manter a pressão na mola para que a mola não suba. E isso foi dito por todos e foi assumido como uma prioridade para o nosso futuro imediato", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, frisando que esta conclusão "foi unânime nas intervenções dos especialistas".
Questionado sobre a renovação do estado de emergência, o Presidente da República reforçou esta mensagem: "Não escondo que da reunião de hoje decorre muito claramente como é importante dar um sinal de manutenção daquilo que foi adquirido e foi uma conquista dos portugueses que não pode nem deve ser perdida".
O chefe de Estado, que falava no final da segunda sessão técnica de apresentação sobre a ‘Situação epidemiológica da covid-19 em Portugal’, no Infarmed, em Lisboa, defendeu que a evolução da epidemia "dá razões aos portugueses para continuarem a fazer o que têm feito e dá razão aos decisores políticos para decidirem no futuro imediato no sentido idêntico ao que decidiram no passado também imediato".
Participaram também nesta reunião, assim como na primeira, a convite do primeiro-ministro, António Costa, para que a informação disponível seja partilhada por todos, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, líderes partidários, sindicais e patronais, e desta vez também os conselheiros de Estado, por videoconferência.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, outra conclusão desta reunião foi a de que, "olhando para a evolução da curva dos casos positivos dos portugueses detectados como infectados há uma diferença apreciável entre a primeira fase dessa evolução e a fase mais recente".
"E, mais do que isso, a continuar o que parece ser uma tendência, temos uma fixação em valores que podem vir a ser menos de metade, claramente menos de metade, em média, daqueles que se verificavam na primeira fase. E podem significar uma relação com o encerramento das escolas e com medidas de contenção já adoptadas", completou.
Com o primeiro-ministro de um lado e o presidente da Assembleia da República do outro, a alguma distância, o chefe de Estado observou que, "se for isso assim - e os próximos dias poderão confirmar - essa é uma boa notícia, a premiar o esforço dos portugueses, que assumiram como tarefa colectiva compreender e praticar essa auto-contenção".
Relativamente à renovação por mais 15 dias do estado de emergência, que termina às 23h59 de amanhã, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que aquilo que ouviu dos especialistas foi um "passo importante, porque dá fundamento científico" à decisão política que será tomada hoje.
"O passo seguinte será, naturalmente, o da posição formal do Governo em concertação com o Presidente da República e depois a autorização da Assembleia da República", disse.