Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Medidas restritivas para segurança das grávidas


terça, 31 março 2020

Muito se tem falado dos grupos de risco ou mais vulneráveis entre a população, e as grávidas são, como não poderia deixar de ser, motivo de preocupação. «O SNS existe e continua a dar respostas para além do coronavírus. E mesmo nas maiores adversidades, há sempre o choro de um bebé, acabado de vir ao mundo, para nos lembrar que há futuro. Que haverá amanhã e que temos obrigação de garantir esta chegada ao mundo em segurança», afiançou ontem, em conferência de imprensa, António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde.
Assim, e para prevenir e acautelar situações de contágio, as maternidades de Coimbra, Daniel de Matos e Bissaya Barreto, têm vindo a aplicar internamente algumas medidas tais como a interdição de entrada de visitas, impossibilidade do pai assistir ao parto e ainda separação de grávidas com Covid-19 das restantes. Estas medidas têm vindo a ser, de resto, aplicadas nos hospitais um pouco por todo o país, facto que tem deixado as futuras mães inquietas mas, segundo fonte do CHUC, todas as medidas estão a ser aplicadas para o bem de todos: grávidas, bebés e profissionais de saúde.
No caso das grávidas com Covid-19, o parto deve ser feito em salas isoladas e deve manter-se «o menor número possível de intervenientes», disse Carlos Veríssimo, do Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos, ontem, na apresentação da Orientação a DGS 018/2020, acrescentando que «o acompanhamento por terceiros não é de todo recomendado», salvaguardando, no entanto, a avaliação caso a caso. O médico adiantou também que a analgesia epidural é fortemente recomendada no caso de grávidas com Covid-19, de forma a evitar «ao máximo uma anestesia geral».
Maior contenção social e separação hospitalar (com áreas Covid e não-Covid) são as traves mestras da orientação ontem conhecida. Assim, as grávidas com Covid-19 positivo assintomáticas ou com ligeiras queixas devem preferencialmente ser vigiadas em casa, através de teleconsultas, evitando-se deslocações necessárias aos centros de saúde, consultórios ou hospitais. De resto, «devem seguir os conselhos de higiene e de contenção social recomendados pela DGS e devem manter os cuidados de prevenção, investigação e diagnóstico semelhantes aos da população em geral», afiançou Carlos Veríssimo. As grávidas serão ainda grupo prioritário, na despistagem do coronavírus, mesmo que assintomáticas, com todos os recém-nascidos a serem também testados.
O médico Carlos Veríssimo garantiu ainda que os obstetras não querem gravidezes mal vigiadas ou sem vigilância. E por isso, garante que se irão manter-se as duas ecografias principais, a do primeiro trimestre (às 13 semanas e seis dias) e a do segundo trimestre ou morfológica (às 20/24 semanas). De acordo com os dados avançados pelo médico, há neste momento 60 mil grávidas, prevendo-se sete mil partos por mês, 230 por dia. Podemos «inferir que eventualmente, segundo as taxas de incidência que temos conhecimento, teríamos seis grávidas infectadas sintomáticas, isto é: um a dois partos por cada mil infectados».