Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Jovem esperou nove horas nas urgências do Covões para fazer um teste


sábado, 28 março 2020

Há vários dias que as Urgências dos Covões estão totalmente dedicadas a acolher doentes Covid-19. Por isso, é natural que, prevendo-se um aumento do número de casos nas próximas semanas, aumente também o fluxo de pessoas naquele local.
O que não pareceu natural para uma jovem, de 23 anos, residente em Coimbra, é que ela e muitas outras pessoas que ali se encontravam na passada quinta-feira, tivessem de esperar quase 10 horas, expondo-se e expondo outros a uma possível contaminação, para fazer um teste «que demorou cinco minutos»...
Depois de o pai ter sido confirmado como caso positivo, mas também porque vive com a avó com 85 anos e porque começou a ter febre, dores de cabeça e no corpo, a jovem (que preferiu não ser identificada) ligou, como recomendam as autoridades, para a linha Saúde 24 para saber o que fazer. «Atenderam-me enfermeiros, mas disseram-me que não havia médicos disponíveis para me orientar», conta, explicando que foi por essa razão que, por decisão própria, decidiu deslocar-se às Urgências dos Covões.
Chegou lá, como conta às 15h00 de quinta-feira. Dez minutos depois estava a fazer a triagem. O que aconteceu depois foram mais nove horas de espera e um cenário que a preocupou, de tal maneira que decidiu registar tirando as fotografias que acompanham este texto e partilhando com o nosso jornal. «Vi pessoas na sala de espera, mas dada a situação, achei por bem ir para a rua aguardar pela minha vez, onde se encontravam mais pessoas», conta ao Diário de Coimbra. Esperou até às 18h00. Altura em que, vendo um enfermeiro lhe perguntou se «já estavam a chamar pessoas para testes». Ele «explica que o teste é um processo rápido mas que envolve muitos cuidados» pelo que «demora cerca de 30 minutos para cada». Na altura, conta, tinha «17 pessoas à minha frente».
Em pouco tempo, garante, juntaram-se mais de 20 pessoas na sala de espera da urgência, mais as que se encontravam na rua. Algumas «pessoas idosas», algumas com máscaras... A jovem terá referido que, tendo em conta o perigo de contágio, o «aglomerado de pessoas não devia estar a acontecer», mas o seu interlocutor respondeu-lhe para «escrever no livro de reclamações».

CHUC não responde
Entretanto, já eram 22h30 e continuava à espera para fazer o teste. «Uma senhora que estava na sala de espera comenta que foi testada positivo para a Covid-19 e que está com dificuldades respiratórias», conta-nos a jovem, não percebendo como é que encaminham para a Urgência dos Covões, para estar junto a outras pessoas que esperam fazer um teste, uma pessoa infectada.
Pelos vistos, mais pessoas presentes se revoltaram e chegaram a reclamar junto de quem se encontrava a trabalhar.
Foi chamada às 23h15. Fez o teste «em cinco minutos», mas depois teve de esperar até à meia-noite para um médico lhe dar alta. Ontem à tarde não sabia o resultado do teste, mas teve consciência que o perigo que correu por se deslocar à urgência foi bem maior do que se tivesse ficado em casa...
«O hospital dos Covões não está preparado para este cenário. Pessoas à espera na rua, pessoas sem respeitar o espaço de segurança na sala de espera. Horas e horas de espera», lamenta a jovem, aproveitando para «agradecer aos enfermeiros e médicos que têm de trabalhar neste cenário».
O Diário de Coimbra solicitou esclarecimentos à assessoria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) sobre o modo como são atendidos os doentes nas Urgências dos Covões, assim como em relação ao fluxo de procura que se tem sentido naquela unidade hospitalar desde que se transformou em resposta exclusiva para casos Covid-19 mas, até ao fecho desta edição não obteve qualquer resposta. |