Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
Fundador: 
Adriano Lucas (1925-2011)
Director: 
Adriano Callé Lucas

Diário de Coimbra faz 89 anos


sexta, 24 maio 2019

A 24 de Maio de 1930, o primeiro número do Diário de Coimbra chegava às mãos dos seus leitores. Hoje, 89 anos depois, aqui estamos, com orgulho, a assinalar este longo e gratificante percurso iniciado pelo meu Avô, Adriano Viégas da Cunha Lucas (1883-1950), que fundou o jornal em 1930, e depois liderado e desenvolvido pelo meu Pai, Adriano Mário da Cunha Lucas (1925-2011) ao longo de 60 anos.

Desde a sua fundação, o Diário de Coimbra assume-se com um jornal republicano e liberal, defensor da Liberdade de Imprensa, da economia de mercado, da regionalização e da plena integração e unificação europeia. Princípios a que, diariamente, juntamos uma informação livre, independente e objectiva. Só assim podemos honrar o legado que nos foi deixado por ambos, bem como por todos os que nestes 89 anos colaboraram, e colaboram, com o Diário de Coimbra em prol dos leitores e da valorização de Coimbra, da Região das Beiras e das suas gentes.

Aqui chegados, quando olhamos para o passado e tentamos perspectivar o futuro, não conseguimos ser muito optimistas. Portugal, passados 45 anos do restabelecimento da democracia, continua um país pouco desenvolvido, excessivamente burocrático, centralista, sem capacidade de se reformar e sem desígnios nacionais, de médio e longo prazo, mobilizadores do desenvolvimento. É confrangedor assistirmos ao debate político em Portugal centrado na “politiquice” barata e no curto prazo.

É confrangedora a comparação com vários outros países europeus de dimensão equivalente à nossa, que estavam bem mais atrasados quando subjugados à ditadura comunista soviética, que só restabeleceram a democracia e só aderiram à União Europeia muito mais tardiamente do que nós, como é o caso da República Checa, mas que já nos ultrapassaram em rendimento per capita e cujo crescimento económico (3% em 2018) é bem maior do que o nosso (2,1% em 2018), deixando-nos cada vez mais para trás na cauda da Europa. Para não falarmos na Irlanda, que foi atingida pela crise financeira de 2008, tão ou mais gravemente do que o nosso país, mas cuja economia já recuperou e tem vindo a crescer nos últimos anos acima de 6% ao ano, em que a fiscalidade é muito inferior à nossa e aposta no desenvolvimento das empresas, que é quem cria riqueza e emprego. O imposto sobre os resultados das empresas na Irlanda é de 12,5%, menos de metade do que o IRC em Portugal.

As poucas reformas iniciadas entre nós na legislatura anterior foram entretanto, em grande medida, revertidas (como é o caso do arrendamento urbano). O país continua com uma carga fiscal absurda que penaliza as famílias e as empresas para sustentar uma “máquina” do Estado que não é ágil, útil e nada contribui para uma economia livre e próspera. Antes pelo contrário. Reformas adiadas entre as quais destaco hoje a do sistema eleitoral. Basta ver como os partidos políticos ignoraram a petição que lhes foi entregue – Legislar o poder dos cidadãos escolherem os seus deputados (que publicámos na íntegra no Diário de Coimbra) – para se perceber o estado a que chegámos. Uma petição que visava apenas aproximar os eleitores dos eleitos mas que o Parlamento ignorou.

No Diário de Coimbra – bem como nos diários que lhe estão associados (Diário de Aveiro, Diário de Leiria e Diário de Viseu) não vamos deixar cair estas questões, nem outras, como por exemplo as muitas promessas feitas em tempos eleitorais que depois caem no esquecimento.

Mantemo-nos neste rumo ao serviço dos nossos leitores, assinantes e anunciantes, que são a nossa única razão de ser. Procuraremos, todos os dias, fazer mais e melhor para continuar a merecer a confiança dos que nos acompanham nesta missão.

Bem hajam

Adriano Callé Lucas

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