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Reportagem: Pinhal ensombrado com burocracia pouco mudou após incêndio


Mário Pinto / foto: Luís Filipe Coito sexta, 12 outubro 2018

O actual cenário no Pinhal de Leiria, devastado na quase totalidade (86 por cento) pelo incêndio do dia 15 de Outubro de 2017, o maior fogo de que há memória na região, é marcado por uma paisagem (praticamente) negra e apenas com pequenas zonas verdes em regeneração gradual.
Seria suposto que quem circula na estrada de acesso a S. Pedro de Moel observasse um cenário mais verdejante e  com pinheiros já crescidos? A resposta será, com certeza, negativa, até porque o tempo de crescimento de um pinheiro bravo - espécie predominante antes, durante e depois do incêndio de 15 de Outubro de 2017 -, demora anos. Mas seria suposto avistarem-se mais hectares de pinheiros cortados para venda como tem vindo a ser feito, lentamente, e mais pinheiros plantados? Esta resposta será afirmativa, até porque na próxima segunda-feira faz pre­cisamen­te um ano que as chamas do incêndio que eclodiu na Burinhosa, concelho de Alcobaça, destruiu a quase totalidade da maior mancha de pinheiro bravo da Europa, que provocou o derrame de lágrimas em milhares de pessoas e ainda há muita coisa por fazer nas largas extensões de talhões destruídos pelas chamas.
Um desses rostos é Gabriel Roldão, de 83 anos, um marinhense de ‘gema’, residente em S. Pedro de Moel, que ainda não conseguiu digerir o alimento (leia-se fogo) que destruiu o seu encanto e o de milhares de portugueses, sobretudo daqueles que no Verão aproveitam as praias do concelho marin­hen­se e da região para passar o período de férias.
Num périplo feito ontem de manhã com o ‘guia’ Gabriel Rol­­dão, um conhecedor profundo da realidade do Pinhal de Leiria, foi possível constatar que alguma coisa já foi feita no destruído Pinhal, mas muito ainda há por fazer. 
 Acessos interiores do pinhal cortados, supostamente para evitar roubo de madeira e acidentes com a queda de pinheiros, centenas de talhões ainda com pinheiros queimados, madeira amontoada e uma grande percentagem de terrenos, onde o pre­to é a cor dominante, ao contrário do verde, que foi, durante décadas, a cor principal de quem passeava e desfrutava do Pinhal de Leiria. 

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