Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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“Não me interessa trazer artistas que venham fazer golfinhos”


Rui Cunha (foto Eduardo Pina) sexta, 14 setembro 2018
“Estarreja é muito mais do que um cheiro”, diz Lara Seixo Rodrigues. A curadora do ESTAU nasceu na Covilhã há 39 anos e mora em Lisboa. Nunca tinha estado no concelho mas é ago­ra quase uma estarrejense ado­ptiva, orgulhando-se de ajudar, com o festival, a “transformar positivamente a cidade”. A conversa entre o Diário de Aveiro e esta arquitecta de formação decorreu na Rua Dr. Dionísio de Moura, a dois passos da estação, onde, no ano passado, Vhils eternizou a Dona Florin­da na parede exterior de uma casa Diário de Aveiro: Como é que chegou a Estarreja e ao ESTAU? Tinha alguma ligação anterior ao concelho? Lara Seixo Rodrigues: Não tinha qualquer ligação a Estarreja e, na verdade, até acho que nunca cá tinha vindo. Estou ligada ao ESTAU desde o início. Mas antes disso fui chamada a Estarreja para a celebração dos dez anos de município, cumpridos em 2015, mas o projecto na altura não avançou. Acabei por ser convidada passado um ano para criar um evento e o que propus foi este formato, que não são só murais de arte urbana mas inclui muitas outras actividades paralelas, capazes de criar toda esta dinâmica na cidade. Três anos depois, o que é Estarreja para si? Desde que vim fazer a primeira observação e análise do territó­rio percebi que Estarreja é mui­to mais do que um cheiro, que é aquilo a que habitual­men­te associamos a Estarreja. Na verdade, existe muito para mostrar. Nós desenhámos o projecto des­ta forma e para os artistas que chegam à cidade e não começam logo a trabalhar fazemos dois dias de acolhimento em que lhes damos a conhecer um pouco a história da região e os levamos a conhecer a cidade, a Casa-Museu Egas Moniz, o BioRia, a Casa do Tear… No meu caso, percebi que Estarreja não pode ser rotulada por um cheiro e este projecto também tem o objectivo de quebrar essa imagem. Desde a primeira edição, as pessoas dizem-nos que vêm a Estarreja porque sabem que há algo de valor para ser visto. E quem é de cá diz-nos que tem um novo orgulho em ser de cá. Qual foi a reacção inicial das pessoas de Estarreja a este projecto? Acho que é sempre mais ou menos igual: estranha-se nos primeiros dias, e quando começamos a trabalhar, as pessoas até reclamam… Mas com o andar dos dias, as pessoas percebem a mais-valia e que estamos a transformar positivamente a cidade… Os “workshops” estão sempre esgotados desde a primeira edição, as visitas guiadas têm sempre imensa gente…
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