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Síria: Chefe da diplomacia da UE defende retoma das conversações de paz de Genebra


Segunda, 16 de Abril de 2018
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) defendeu hoje que é vital retomar as conversações de paz para a Síria mediadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), dois dias após a intervenção militar no país. À entrada para a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, que se realiza no Luxemburgo, Federica Mogherini previu “um dia muito longo”, no qual a Síria assumirá o papel principal, depois de, no passado sábado, Estados Unidos, França e Reino Unido terem realizado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico no país, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad. “Adoptaremos conclusões, reiteraremos a nossa posição conjunta, que tenho manifestado nos últimos dias em nome dos 28 Estados-Membros, sobretudo relativamente ao uso de armas químicas e à nossa resposta a isso, mas acima de tudo prepararemos a Conferência de Bruxelas da próxima semana, para que possa constituir a oportunidade de relançar o processo político de negociações mediadas pela ONU”, enumerou. A Alta Representante da UE para Política Externa, que se referia à Conferência “Suportar o Futuro da Síria e da região” que decorrerá em Bruxelas de 24 a 25 de Abril, insistiu que, neste momento, é “vital retomar o processo político liderado pela ONU”, e relançar conversações políticas significativas com a Síria. “Nós sempre incentivámos e acompanhámos com medidas muito concretas as conversações de Genebra. Temos trabalhado para unir a oposição, para preparar uma delegação para as negociações, temos colaborado com organizações da sociedade civil e temos estado permanente e consistentemente com as Nações Unidas para tentar facilitar estas negociações”, acentuou. Todavia, segundo Federica Mogherini, nas rondas de conversações de paz para a Síria que decorreram em Genebra (Suíça) sempre encontraram “relutância por parte do governo sírio em iniciar negociações significativas”. “Apelámos à Rússia e ao Irão para que exercessem a sua influência em Damasco para iniciar negociações significas com as Nações Unidas, em Genebra, e como sabem sempre deixámos muito claro que estamos preparados para começar a planear a reconstrução financeira da Síria. Todavia, isto só acontecerá quando negociações políticas sérias estiverem em curso”, sublinhou. A chefe da diplomacia europeia exortou ainda “toda a comunidade internacional a assumir a sua responsabilidade” para travar a crise humanitária na Síria. A ofensiva de sábado na Síria consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono. O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à “acção monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição. Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança. Na sequência destes ataques, e a pedido da Rússia, realizou-se uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na qual foi rejeitada uma proposta de condenação da ofensiva militar, apresentada pelos russos. No domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, avisou que novos ataques à Síria por países europeus e Estados Unidos pode provocar "o caos" nas relações internacionais, enquanto o líder sírio, Bashar al-Assad, acusou os Estados Unidos e os seus aliados de lançarem uma “campanha de falácias e mentiras” após a ofensiva militar lançada no sábado por Washington, Londres e Paris. Hoje, será entregue ao Conselho de Segurança da ONU um projecto de resolução sobre a Síria, que inclui um novo mecanismo de controlo sobre o uso de armas químicas. O texto, redigido pela França, abrange três áreas: química, humanitária e política, segundo fontes diplomáticas.

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