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Gratos para toda a vida a militar que os salvou do fogo


Diana Cohen sexta, 12 janeiro 2018
Rodeados de chamas infernais, Manuel Grego, a mulher Maria da Conceição e o neto Edgar pensaram que a morte viera buscá-los, naquela noite de 15 de Outubro. Mas quando tudo parecia perdido e se despediam uns dos outros, abraçados e exaustos, surgiu um vulto que os resgatou, levando-os para um lugar seguro. Depois de muito procurar, o homem, de 77 anos, de Calvão, Vagos, descobriu agora quem era afinal aquele “anjo” que os salvou do incêndio avassalador. Ao fim de três meses, conseguiu dar um abraço de gratidão ao capitão João Rodrigues, comandante do Destacamento Territorial de Aveiro. Parece uma cena tirada de um filme, mas aconteceu, na EN 109, em Mira, no dia em que Portugal foi fustigado por incêndios que ceifaram dezenas de vidas e deixaram um rasto de destruição. A voz vacila e Manuel Grego emociona-se quando recorda os momentos dramáticos que guarda na memória com precisão, como se tivessem acontecido ontem. Seriam aproximadamente 22 horas. Recebeu uma chamada do filho, que, alarmado com as notícias que acabara de receber, de que o fogo estava incontrolável, lhes pediu para irem buscar o neto a Mira. Nessa altura, o incêndio já tinha por lá passado e Manuel pensou que pudesse conseguir fazer a viagem em segurança. “No regresso a casa, a Calvão, já estava uma casa a arder e aí tive algum receio, mas decidi continuar, até que cheguei à zona industrial de Mira e deixei de conseguir ver o que estava à minha volta”, recorda. O que estava em seu redor era um fumo denso que lhe toldava a visão. Manuel não fazia ideia se seria melhor continuar pela EN109, voltar para trás ou parar o carro. Decidiu avançar, até que, ao chegar à rotunda de acesso à A17, os três ficaram cercados por “bolas de fogo” que, dava ideia, estavam a ser atiradas contra a viatura. “Tentei escapar e foi aí que o carro caiu numa valeta e não consegui tirá-lo de lá. Não tínhamos outra hipótese, tivemos de sair para a rua antes que ficássemos queimados”.
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