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Anadia: Autarca ameaça não assinar protocolo do Hospital
Alegando não ter garantias que os doentes recebam cuidados de saúde no Hospital, o autarca ameaça não assinar o protocolo com o ministério da Saúde

Litério Marques não exclui a possibilidade de não assinar o protocolo com o Ministério da Saúde, relativo ao Hospital de Anadia, e previsto para a próxima sexta-feira. O presidente da Câmara de Anadia diz ter recebido a versão final do protocolo ontem e considera que o documento é “ambíguo” e que não refere com exactidão o que pretendia que estivesse contemplado no acordo.
Embora admita que a proposta seja mais vantajosa do que a situação actual e mesmo antes do encerramento das Urgências do Hospital, o autarca reclama que existem pontos no documento que “têm que ser clarificados”, entendendo que deixam dúvidas de interpretação.
O protocolo prevê que existe uma consulta aberta entre as 8 e as 24 horas, no Centro de Saúde, e que estejam acessíveis os meios complementares de diagnóstico que o Hospital dispõe. De resto, o documento refere que a necessidade de internamento do doente deve ser acordado com o médico da consulta interna.
Por outro lado, prevê-se que as situações de urgência/emergência que ocorram durante o dia ou no período das zero às 8 horas, sejam encaminhadas para os hospitais de Aveiro ou Coimbra.
Litério Marques é de opinião que este acordo substitui, com vantagens o serviço de urgências, já que “coloca à disposição dos utentes um médico do hospital e um médico do Centro de Saúde, além de disponibilizar os meios de diagnóstico existentes no Hospital”. O presidente da autarquia anadiense aponta ainda como vantagens o facto de um urgente esporádico – alguém que esteja apenas de passagem pelo concelho – poder ter assistência médica.
Apesar das vantagens, Litério Marques considera que a linguagem utilizada “é ambígua”, exigindo que “haja garantias que, por parte da administração do hospital, centro de saúde e ARS, que o doente terá acesso aos cuidados de saúde”.
O autarca alerta para o facto de que se não houver um acordo entre centro de saúde e hospital, “estes poder-se-ão recusar a tratar um doente e encaminha-lo, como até agora, para as urgências de Coimbra ou Aveiro”. “Nada me garante isso… Tem que haver uma relação entre hospital e consulta aberta devidamente institucionalizada”.
Sobre o ponto que prevê que os casos urgentes ou emergentes sejam encaminhados, mesmo durante o dia, Litério Marques diz que tem que ter a garantia que estes vão ser tratados em Anadia: “só os casos especiais é que devem ir para Coimbra ou Aveiro”.
O presidente da câmara de Anadia diz que também tem que lhe ser garantido que os meios diagnósticos do hospital vão estar disponíveis e que não vão ser utilizados apenas quando estiverem disponíveis: “tem que existir a obrigatoriedade do hospital de receber os doentes. Cria-me muitas dúvidas e eu com dúvidas não assino. Estou à espera de esclarecer isto e que me sejam dadas garantias”.

António Jorge Pires
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