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Eleições Europeias: Resultados devem pôr PS a reflectir, advertem dirigentes locais
Socialistas do distrito preocupados com votação das Eleições Europeias. Mas, apesar do revés, olham com confiança para as autárquicas e para as legislativas

Os maus resultados do PS das últimas Eleições Europeias, disputadas domingo, preocupam os dirigentes locais do partido. A confiança pode estar minada, mas subsiste algum ânimo para enfrentar os dois sufrágios que restam do ciclo eleitoral de 2009.
“Os resultados devem fazer pensar. Espero que o partido aprenda”, adverte Raul Martins, líder da comissão concelhia de Aveiro. Mas acrescenta: “Já assisti a muitas vitórias e a muitas derrotas. E a vitórias a seguir a derrotas”.
Para o dirigente aveirense, a população quis “castigar o Governo” chefiado por José Sócrates. O próprio voto em branco traduziu o “desencanto” do eleitorado socialista. Mas o primeiro-ministro “vai ter tempo de pensar” para corrigir as estratégias para as eleições legislativas e autárquicas.
Raul Martins acredita ainda que o resultado de domingo “não terá influência” nas futuras eleições municipais.
A Mealhada foi o único concelho do distrito onde o PS triunfou. Apesar disso, Carlos Cabral, presidente da autarquia, entende que os votantes “quiseram penalizar a governação” do país, que tem tomado “medidas nem sempre populares, mas necessárias”.
“Naturalmente que estes resultados devem servir para o PS fazer uma reflexão, muito embora eu não veja os outros partidos a apresentarem alternativas, limitando-se a dizer que tudo está mal”, declarou.
Gil Nadais, líder do município de Águeda, olha para os números de domingo como um “cartão amarelo” e um “aviso” ao Governo. “Mas, como em muitas outras eleições anteriores, penso que os resultados não terão o mesmo sentido nas legislativas”, considera.
António Tavares, do PS/Arouca, não se mostrou surpreendido com a vitória do PSD no concelho. “Já sabemos que em Arouca o PS não ganha eleições nacionais”, constatou. No país, o PS foi visto por todos os outros partidos como “alvo a abater” e isso reflectiu-se na votação. Mas, nas autárquicas não será igual: “Não tem nada a ver, são eleições diferentes”.
Surpreendido ficou Alcides Branco. Dado o “esforço que o Governo está a fazer em todas as frentes, não contava com este resultado”, diz o chefe do PS/Feira.
Mas os resultados dos próximos actos eleitorais mantêm-se incertos. “Está tudo em aberto, até porque a abstenção foi muito alta”, salientou o candidato à Câmara local.
Com os olhos nas legislativas, Manuel Alberto Pereira, vereador socialista em Oliveira de Azeméis, aconselha a direcção nacional do partido a “transmitir que tem soluções para os problemas do dia-a-dia”. José Sócrates tem de apresentar soluções para os “problemas reais” das pessoas, como o desemprego.
A quebra do PS nas Eleições Europeias deve-se à abstenção e a um “claro voto de protesto”, concluiu.

RC, AJP e AOS

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